segunda-feira, 30 de maio de 2011

Síndrome de Estocolmo coletiva



<< - TEM CURA - >>

A SÍNDROME DE ESTOCOLMO
Por Márcio Alves de Lima 08/02/2004 às 16:31


Muitos de nós apresentamos os sintomas desta estranha síndrome. Como assim?


“Em minha vida vi pessoas de ‘esquerda’ aos poucos assumirem posições conservadoras, logo de direita, e acabarem como tremendos reacionários. Nunca vi o contrário, nem como exceção.”
(Millôr Fernandes)


Aquilo foi realmente surpreendente.

Estocolmo, capital da Suécia. São dez e quinze da manhã de uma quinta-feira, 23 de agosto de 1973. Dois fugitivos da prisão entram em um banco, o Banco da Suécia, com o intuito de assaltá-lo. Portando sub-metralhadoras, rendem os guardas, e em pouco tempo colocam todos à mercê de sua truculência.

Após aproximadamente cinco dias de tensão, os assaltantes são rendidos e os reféns, libertados. Mas, certamente, ninguém poderia prever o que aconteceria depois: OS REFÉNS MANIFESTARAM GRANDE HOSTILIDADE CONTRA OS POLICIAIS E DEFENDERAM ARDOROSAMENTE OS ASSALTANTES QUE OS AGREDIRAM E HUMILHARAM. Os reféns passaram a se identificar com os assaltantes. O que teria acontecido?

Os reféns passaram a manifestar um conjunto de sintomas caracterizados por sentimentos positivos que a vítima desenvolve pelo seu agressor ou captor, e sentimentos negativos para com todos aqueles que tentam, de alguma forma, interferir nessa relação de dependência. Esse estranho comportamento ficou conhecido entre os psicólogos como Síndrome de Estocolmo, em alusão ao lugar em que ocorreu o assalto. É por vezes conhecida como Síndrome de Helsinki, e costuma ocorrer após um tempo suficientemente prolongado de intimidação psicológica.

Um exemplo clássico de Síndrome de Estocolmo foi o aconteceu a Patricia "Patty" Hearst, filha do magnata norte-americano William Randolph Hearst. A filha do Cidadão Kane foi seqüestrada por uma organização paramilitar, o Exército Simbionês de Libertação, em fevereiro de 1974. Colocada em isolamento e submetida a agressões sexuais, Patty Hearst foi aos poucos absorvendo o sistema de crenças da organização, tornando-se a guerrilheira “Tanya”. A Síndrome de Estocolmo é conseqüência direta de uma lavagem cerebral.

E muitos de nós apresentamos os sintomas desta estranha síndrome. Como assim?

Estamos sendo, dia após dia, enganados e explorados por um sistema econômico opressivo. Somos reféns cativos desse sistema e da CORJA que o representa, os políticos, banqueiros e empresários. Mas nutrimos uma mal disfarçada admiração por eles, devido, em parte, ao longo e maciço bombardeio de propaganda político-ideológica e muita, MUITA intimidação psicológica a que estamos submetidos (como a possibilidade de perder o emprego a qualquer momento). Enfim, uma autêntica lavagem cerebral. E assim passamos a desejar ser como eles, em um espantoso processo de homogeneização psíquica, de uniformização psicossocial.

Costumamos dizer que nossos captores são parasitas, que roubam às nossas custas, que exploram o trabalhador, etc., etc., etc.. Essas afirmações têm fundamento — não é preciso ser ligado a nenhuma ideologia de esquerda para constatar esses fatos — mas geralmente são ditas da boca para fora: à primeira oportunidade que temos de assumir postos de comando na hierarquia social que nos possibilitam atingir um maior status econômico e social, repentinamente esquecemos delas e mudamos o discurso. Não, não é que mudamos de ideologia ou de opinião e passamos "para o outro lado". Na verdade, já estávamos identificados com "o outro lado" antes mesmo de chegar ao poder. Estamos acometidos pela Síndrome de Estocolmo.

Somos como o escravo que, após anos de submissão ao seu amo, consegue a oportunidade de se apropriar do látego e passa a submeter seus semelhantes, perpetuando um ciclo aparentemente sem fim. Por isso, muitas vezes nos indignamos com os ricos e poderosos, mas assinamos a CARAS e compramos CITRÖENS e NOKIAS, para nos parecermos cada vez mais com esses mesmos ricos e poderosos — ou, pelo menos para nos sentirmos como eles, mesmo que a aquisição de tais bens de consumo possam a vir nos "quebrar" financeiramente. É a ilusão zombando da realidade, é o fascínio pelo poder desdenhando do bolso.

Vendo as coisas sob toda essa ótica, dá para entender perfeitamente porque a maior parte da classe média brasileira, quando não fazia oposição "moderada", apoiava a ditadura militar nos anos 60 e 70 e desprezava a importância de movimentos "radicais" de oposição — como a guerrilha urbana ou passeatas e manifestações de oposição aberta ao regime. Afinal, não queríamos mudar de fato a situação. Ou queríamos reformas políticas (de preferência as que beneficiassem as nossas ilusões de consumo) ou não queríamos reformar nada e apenas fazer coro à propaganda governamental autoritária e retrógrada.

Também dá para entender porque às vezes nos deparamos com o VIRA-CASACA, um espécime cada vez mais numeroso da fauna política. Um desses espécimes, conhecido sociólogo que já foi simpatizante "moderado" da esquerda, tornou-se o neo-entreguista de hoje. No fundo é um portador da Síndrome de Estocolmo: criticava o poder, sem dúvida, mas gostava de flertar com ele. O exílio (ô, força de expressão!) no Chile, regado a caviar, fez-lhe muito bem…

Obviamente estou me referindo ao ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Mas alguns outros exemplos de representantes FHCistas da "esquerda light" (segundo expressão publicada na sutilmente reacionária revista VEJA) acometidos por essa patologia social podem ser citados: José Serra, ex-ministro da Saúde (militava no movimento estudantil em sua juventude), Raul Jungmann, ex-ministro da Reforma Agrária, (antigo militante do PCB, enquanto ministro criticava a ação cada vez maior do MST em todo o Brasil), Francisco Weffort, ex-ministro da Cultura (ex-militante do PT e intelectual de esquerda, que se mostrou contrário, enquanto ministro, às manifestações contra os 500 anos de dominação estrangeira em Porto Seguro, na Bahia).

De todos esses "comunistas arrependidos" não se pode deixar de acrescentar Fernando Gabeira, deputado, atualmente “de mal” com o PT. Gabeira hoje pensa que a militância política dos anos 60 e 70 objetivava a uma espécie de utopia romântica irrealizável. Logo ele, que já chegou até mesmo a participar do seqüestro de um embaixador americano… O filme “O Que é Isso, Companheiro?”, bem como o livro que o inspirou, de sua autoria, mostra bem essa “mudança de opinião”.

E é claro, temos o nosso atual presidente, Luís Inácio “Lulinha Paz e Amor” da Silva, ex-metalúrgico, cada vez mais identificado com certos setores empresariais (principalmente os "pequenos" e os "médios"). É o "Lula Light", para citar outra expressão da VEJA. É o Lula das alianças políticas. É o Lula que simpatiza com crimes contra a soberania como a ALCA. É o Lula da CPMF e da Reforma da Previdência. É o Lula que “lavou as mãos” na polêmica sobre a implementação (termo orwelliano para “imposição”) dos transgênicos no Brasil.

Os “Confeiteiros Sem Fronteiras” erraram de alvo quando “tortaram” a cara de José Genoíno.

Preciso dar mais exemplos? Ou será que devo citar mais outros infectados pela Síndrome, como Palocci, Dirceu & Cia. Ltda.? Os fatos falam por si só. Heloísa Helena e os demais “radicais” expulsos que o digam.

Apenas para constar: já foi dito acima que os infectados pela Síndrome de Estocolmo expressam sentimentos negativos contra quem tenta quebrar essa relação patológica. Basta lembrar as críticas feitas por "Lula Light made in Duda Mendonça" contra o MST durante a campanha eleitoral de 2002 (vide artigos publicados na Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro).

O MST é uma organização socialista que tem objetivos bem mais radicais com relação à distribuição de terra no Brasil do que muita gente das classes média e alta gostariam que fosse, e que não tem tantas ligações com o PT quanto certos jornalistas e intelectuais de direita querem fazer crer. Prova disso foi o que vimos neste ano de 2003: as diferenças entre as duas organizações políticas tornaram-se cada vez mais claras. O MST luta por mudanças radicais, busca revolucionar, enquanto que o PT (quem diria!) busca CONTINUAR COMO ESTAVA ou, no máximo, REFORMAR. Gozado... parecido com o que foi dito da classe média alguns parágrafos acima: ou reforma-se o sistema ou o mantém como está.... Sintomas claros da Síndrome de Estocolmo.

As reivindicações do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem-Terra são mais do que justas, bem como são perfeitamente justificáveis seus métodos “heterodoxos” (ou radicais, como queiram) de luta, embora sua ideologia esteja calcada em bases marxistas-leninistas — a meu ver, um calcanhar-de-aquiles, pois o marxismo-leninismo provou ser um sistema político irremediavelmente autoritário. Mas, sejamos justos: o MST faz política com muito mais energia e vitalidade do que o já caquético e burocrático PT (outrora uma organização combativa e forte). Chamam os Sem-Terra de baderneiros — “baderna” é o termo orwelliano que a VEJA (olha ela aí outra vez!) usou e eventualmente usa para descrever as ações do movimento. Bem, antes a “baderna” do que o imobilismo. Antes agir do que cruzar os braços.

Mas deve-se sempre ter em mente que o autoritarismo é meio pelo qual a síndrome se propaga. Por isso, revoluções (hein? hã? o quê?) sociais, como a Francesa, a Russa, a Cubana, etc. não terem vingado. Por isso, não terem mudado praticamente NADA de humanamente relevante. Nunca foram revoluções de fato. Grande parte da humanidade continua composta de escravos desejosos de se tornar senhores, não de si mesmos, mas dos outros escravos. Grande parte da humanidade está socialmente doente e não sabe disso. Movimentos revolucionários devem sempre levar esse fator em conta, ou pelo menos deveriam.

O fato é que parece haver uma curiosa relação entre a Síndrome de Estocolmo e o esquerdismo político (principalmente o "moderado")… muitos que se apresentam como rebeldes oposicionistas hoje acabam se tornando os opressores sociais de amanhã. Mas antes que algum esquerdista queira me apedrejar, espere um pouco: de nada adianta nos opormos a essa nojeira político-social em que se transformou o país se temos, encravado nas profundezas do nosso inconsciente, a herança milenar da LUTA PELO PODER. E cá entre nós: nossos partidos políticos, tanto de esquerda quanto de direita, nunca se interessaram realmente em quebrar esse esquema, não é mesmo? O lado direito do espectro político ao menos é ideologicamente coerente com suas ações. Mas a esquerda, que tanto começa lutando por valores mais humanos, quando conquista o poder, faz precisamente o mesmo jogo da direita, podendo se mostrar até mais conservadora do que seus adversários.

No momento político atual, tanto a esquerda quanto a direita têm aceitado a democracia representativa como única forma de democracia possível. Trata-se de um sistema que consiste em pôr gente no poder para "representarem o povo" (presidentes, governadores, ministros, etc.) e assegurar sua proteção com "cães de guarda" (polícia, exército, etc.) contra possíveis manifestações de oposição. No esquema democrático atual, o amo e o escravo são duas faces da mesma moeda.

Mas, transcendamos as palavras: não faz muito sentido em falarmos de “esquerda” e “direita” quando o assunto é política. Esse rótulos são enganosos. Isso tem sido válido para toda e qualquer organização política, partidária ou não (PT, PFL, PSDB, PP, MST, PCO, etc.). Quando se quer o poder, apenas se escolhe um rótulo temporariamente conveniente — mais à mão — que se prefere usar para consegui-lo, nada mais. Quem garante que um líder de um movimento verdadeiramente popular como o MST, por exemplo, não venha um dia a se tornar um político ligado, digamos, ao PFL? Em política, a velha frase-clichê “os extremos se tocam” é mais do que verdadeira. Querem exemplos?

Daniel Cohn-Bendit, o famoso militante anarquista do Maio de 68 francês, hoje é deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Verde alemão, se não me falha a memória, e chegou a afirmar, em entrevista à revista IstoÉ, que “democracia e livre mercado passaram a ser indissociáveis” (mas afinal que PORRA de anarquista era esse?).

Caetano Veloso, um dos fundadores da Tropicália, movimento musical inspirado, ao menos em parte, nas teses libertárias de Jean-Paul Sartre, hoje se baba de elogios ao sociólogo vira-casaca que fez muito mais pelo Consenso de Washington enquanto era presidente do que seus antecessores. Agora, quem garante que o subcomandante Marcos não venha um dia a querer ser presidente do México e ser mais um fiel cãozinho a serviço do opressor vizinho do norte? Quem garante que o músico Lobão, que tem idéias bem interessantes, porque radicais, acerca da livre distribuição de cultura musical por meios eletrônicos, não venha a se tornar um empresário da indústria fonográfica e passar a perseguir quem se dedica a subverter pela pirataria o próprio conceito de “propriedade” intelectual através da Internet?

Uma categoria particularmente cínica de seres humanos já tem uma resposta pronta para explicar tão espantosa mudança de comportamento: PRAGMATISMO. Um belo nome para um dos mais típicos sintomas da Síndrome de Estocolmo.

Adianto que nada tenho contra o zapatismo nem contra a pirataria, muito pelo contrário. Mas o ceticismo, já insinuava Carl Sagan em seu “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, é um importante aliado da liberdade. E meu ceticismo, neste artigo, está mais voltado contra certos indivíduos do que contra as citadas idéias em si.

A perigosa dialética “escravo x senhor” precisa ser rompida. Um depende do outro para existir, e é precisamente essa dependência o que constitui a Síndrome de Estocolmo. Quando Spartacus alia-se a Crassus passa a ser visto como “pragmático” e “realista”. Já aquele que se opõe a essa relação doentia, é tido como “radical”, “utópico”, “sonhador”, “perigoso”, “na contramão da história”, “delirante”, “dogmático”... ufa! Será que esqueci mais algum rótulo, reaças e fascistinhas que me lêem?

Orwell, onde estás quando mais precisamos de ti?

Mas, falávamos em democracia. Ela ainda tem algum valor? Bom, certamente que nenhum ser racional duvida que a democracia representativa seja muito melhor do que um fascismo ditatorial. Tem-se mais liberdade de pensamento e de expressão, além de uma parcela maior de participação política. O voto é um eficaz meio de atuação política, sem dúvida. Mas em até que ponto é eficaz? Não será apenas mais uma forma de se colocar no poder pessoas infectadas pelo vírus da Síndrome de Estocolmo para exercê-lo em nosso lugar? A resposta possivelmente seja: se não fosse um portador da síndrome, sequer estaria no poder...

Decididamente, não podemos intervir nas injustiças governamentais apenas de quatro em quatro anos, se a corja que nos governa abusa de nossos direitos dia após dia! Reaças e fascistinhas certamente me rotularão de "romântico ingênuo", “sonhador idealista” ou qualquer outro nome que mais julguem conveniente para suas tacanhas visões de mundo, mas uma forma mais radical de democracia precisa surgir se quisermos mudar verdadeiramente as coisas. Sim, radical. Não basta apenas sacudir as estruturas do edifício do poder para reformá-lo e deixá-lo mais bonitinho. É preciso IMPLODÍ-LAS, DESTRUÍ-LAS NAS SUAS BASES. E essas bases estão enraizadas em nossas consciências e inconsciências. É cortar o mal pela raiz mesmo (radical = do latim “radix”, raiz).

É preciso nos descondicionarmos da lavagem cerebral que nos impuseram.

Bom, quem teve a paciência de ler até aqui este mal-escrito texto já deve ter percebido aonde quero chegar. A democracia representativa — a democracia tal como a conhecemos — tem os seus méritos, que não se duvide disto. MAS VEM MOSTRANDO SEUS LIMITES DE FORMA CADA VEZ MAIS NÍTIDA.

Em discussões sobre esse assunto, por vezes topamos com argumentos cínicos do tipo: "’a luta pelo poder faz parte da natureza humana’; ‘estamos constantemente competindo com os outros, o Mercado está aí para confirmar isso’; ‘uns saem perdendo e outros saem ganhando, é uma lei da natureza’; etc., etc., etc.". Os que pensam assim (e não são poucos) tentam, na verdade, justificar biologicamente o sistema atual de dominação com fatos que se observam na natureza, criando uma espécie de doutrina calcada em um darwinismo deturpado — a tal da “psicologia evolutiva” ou “sociobiologia”, que vem ganhando cada vez mais adeptos nos dias de hoje, tanto cientistas quanto leigos. Mas mesmo o que é apenas aparentemente justificável não implica necessariamente em ser aceitável. Um pai jamais consideraria aceitável a conduta de um homem que agrediu sexualmente sua filha, embora essa mesma conduta possa ser justificável biologicamente. Afinal, o instinto agressivo e o instinto sexual fazem parte da natureza humana, certo?

Não podemos aceitar um sistema só porque ele se fundamentaria em teses que, aliás, são altamente especulativas e que não possuem sequer comprovação científica. E já que se tocou em argumentos tão cientificistas, cabe então lembrar que foram PROCESSOS NATURAIS que possibilitaram ao macaco-homem descer das árvores há 4 milhões de anos atrás e criar ferramentas para a sua sobrevivência, dentre as quais a mais brilhante de todas: a CULTURA, que contém elementos que muitas vezes contrariam a própria "lei da selva" — coisas como ética, amor, solidariedade, altruísmo, etc.. A cultura é criação do cérebro humano, esse complexo órgão que é fruto de milhões de anos de evolução por seleção natural. Óbvia constatação essa. Apesar disso, no entanto, Darwin continua inquieto em seu túmulo...

Enquanto houver poderosos no planeta haverão quem queira ser como eles. E esse ciclo de poder precisa ser quebrado se queremos uma sociedade verdadeiramente humana e humanista. Uma revolução social pode estar a caminho a partir do momento em que mudarmos a percepção que temos de coisas que consideramos tão óbvias.

O vírus da Síndrome de Estocolmo é a causa da luta pelo poder, é o seu MODUS OPERANDI. E já está mais do que na hora de aplicarmos o antídoto. Em nós mesmos. Temos que reconhecer que muitos de nós somos portadores de uma patologia social. Pode ser tratada e curada, embora seja de difícil cura. Quanto mais jovem é o infectado maiores as chances de se recuperar. Quanto mais velho — portanto mais retrógrado, reacionário e conformista — menores são as chances de a pessoa ao menos querer se tratar...

Ninguém pode tratá-lo da Síndrome de Estocolmo. Você é o seu único médico. O antídoto se chama LIBERDADE INDIVIDUAL e não pode ser encontrado em nenhuma farmácia, ideologia, templo religioso, partido político ou líder de qualquer espécie. Apenas dentro de si mesmo. O máximo que você pode fazer por outra pessoa é informá-la ou mesmo persuadi-la de que ela também tem os anticorpos da rebeldia correndo em seu sangue. O resto é com ela.

Queres mudar o mundo? Então começa por conquistar tua liberdade individual. Exerce tua individualidade. Não podes sair por aí se dizendo livre se continuas na condição de escravo. Não podes sair por aí pregando a liberdade se continuas na condição de senhor. Qualquer tentativa de transformação social pretensamente revolucionária que não coloque a liberdade individual como elemento norteador está fadada a se tornar apenas mais uma reformismo burguês, nada mais.

Só se muda o mundo se antes mudarmos a nós mesmos e lutar contra qualquer obstáculo ao florescimento da mais autêntica das Revoluções: a Interior. Mudar o mundo SEM TOMAR O PODER – como diria John Holloway – e ao mesmo tempo IMPEDINDO QUE INFECTADOS O FAÇAM. Nós podemos ser vítimas de nossos captores, mas não seres passivos. As armas dos "assaltantes de nossa liberdade" — a CORJA a que me referi anteriormente — são poucas e temos força para rendê-los. Para isso é preciso ter consciência de que cada um de nós é um herege natural.

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”, já dizia alguém. A propósito, aqui vai uma advertência: quando se curar da Síndrome de Estocolmo, prepare-se para ser execrado. Em terra de cego quem tem um olho é inimigo da ordem estabelecida.


"Só os tolos se regozijam quando os governos mudam."
(provérbio romeno)

“Não gosto da direita porque ela é de direita e não gosto da esquerda porque ela é de direita.”
(Millôr Fernandes)

Nenhum comentário:

Postar um comentário